Leitura da vez: Clube da Luta


Tá tendo várias resenhas de livros, sim, e se reclamar vai ter mais. Brincadeiras a parte, haha, esse é um livro que li “recentemente”, digo recentemente entre aspas, pois isso já faz uns quatro meses. Demorei de postá-lo aqui para não enchê-los com resenhas e vocês não acharem que eu sou a louca dos livros. Assim como o livro de P.S. Eu Te Amo (fiz a resenha dele aqui), eu segui a sequência errada, de ter assistido o filme antes de ler o livro, o que tirou toda a magia do livro, então não repitam isso em casa. Dito isso eu posso de fato começar a falar sobre a história de Clube da Luta. 



A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, mas apesar disso o personagem principal não tem nome e a sua cronologia não é definida. Torturado pela insônia, pelo tédio e pela sua vida fútil, ele descobre que vendo “sofrimento real” sua insônia vai embora e consegue dormir tranquilamente, então ele passa a frequentar grupos de apoio a pessoas doentes para que possa ter uma boa noite de sono, numa dessas ele conhece Marla Singer que também não tem nenhuma doença, mas ainda assim frequenta esses tais grupos. Quando ele passa a conhecê-la, abandona os grupos.



Durante uma viagem a trabalho, ele conhece Tyler Durden, a partir daí nasce uma amizade entre os dois e a sua vida muda completamente. Seu apartamento é destruído devido a uma explosão sem sentido e a primeira pessoa que ele procura para lhe ajudar é Tyler, mas acaba indo morar com ele numa casa abandonada. Numa noite Tyler idealiza o clube da luta com ele, sendo essa uma forma de se sentir vivo. Com o clube da luta, vem também as suas regras:

  1. Você não fala sobre o Clube da Luta. 
  2. Você NÃO fala sobre o Clube da Luta. 
  3. Quando alguém diz “pare” ou fica desacordado, mesmo que esteja fingindo, a luta acaba. 
  4. Apenas duas pessoas por luta. 
  5. Uma luta por vez. 
  6. Sem camisa e sem sapatos. 
  7. As lutas duram o tempo que tiverem que durar.”


A violência que se espera através da descrição do livro quase não existe, o ponto central do livro são as críticas ao modelo de vida perfeito, ao consumismo, a acomodação e a sociedade de um modo geral. Pode se dizer que a história do livro se resume na confusão que se passa na mente do protagonista e sua relação com Marla Singer, Tyler Durden, o próprio clube da luta e a sociedade.

Cheio de frases marcantes e pensamentos incríveis, o livro nos faz repensar na forma como vivemos, a questionar tudo o que passamos e principalmente a refletir sobre as coisas. É aquela história de amor ou ódio, mas que vale e muito a pena ler.



Título: Clube da Luta. Autor: Chuck Palahniuk. Edição: 2. Editora: LeYa Brasil. Ano: 2012. Páginas: 272. 

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Leitura da vez: P.S. Eu Te Amo

Já faz algum tempo que li esse livro (quase 1 ano e meio para ser exata) e por gostar bastante da história achei que seria válido fazer uma resenha dele. Quem é que nunca ouviu falar do filme P.S. Eu Te Amo? Quando o assisti, há cerca de 7 anos atrás, não sabia que existia o livro e quando soube, decidi que queria ler para sentir emoção a cada página.

Gerry e Holly eram namorados e melhores amigos desde a infância, compartilhavam um sentimento imenso um pelo outro e desejavam ficar juntos para sempre, até que algo totalmente inesperado acontece, Gerry descobre ter um tumor no cérebro, acaba não resistindo e deixa Holly desamparada, com um vazio imenso em seu coração e uma dor insuportável que só aumenta a cada dia.

Após a morte do amor de sua vida, ela se vê sozinha pela primeira vez na vida, sem vontade de encarar o mundo lá fora, deprimida e sem uma profissão ou perspectiva. Sua família e amigos ligavam todos os dias para saber se ela estava bem ou melhor, se ainda estava viva.

Perto de completar 30 anos, ela descobre um pacote de cartas deixado por Gerry na casa da sua mãe, onde há uma lista de coisas para guiá-la em sua nova vida sem ele. A partir dessa descoberta, sua vida muda e a história se desenvolve através dos pedidos conscritos nas cartas.

Do mês de março até o mês de dezembro, Holly deve abrir um envelope por mês seguindo todas as instruções que estão escritas na carta. Dessa forma, mesmo que seja apenas por meio de suas palavras, ela sente como se ele ainda estivesse pertinho dela e a cada envelope aberto ela vibra, como se sua vida dependesse disso.

Apesar da história ser focada em Holly e nas cartas deixadas por Gerry, os outros personagens como sua família e seus amigos são peças fundamentais para que a história desenrole. Eles dão um certo ânimo e tornam a história muito mais fácil de ser lida. O livro é um verdadeiro amor e eu me envolvi a cada página, confesso que chorei algumas vezes, principalmente ao ver o sofrimento da personagem. A lição que o livro nos passa é que perder alguém que se ama é algo terrível, mas isso não significa que sua vida acaba ali, você ainda tem uma vida inteira pela frente.


Título: P.S. Eu Te Amo. Autor: Cecelia Ahern. Edição: 2. Editora: Novo Conceito. Ano: 2012. Páginas: 365. 

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Leitura da vez: A Hora da Estrela

Faz quase dez meses desde o último livro que eu postei aqui, mas não pensem que foi por falta de ler ou algo do tipo. Além de ter esquecido de atualizar, meu tempo andava muito corrido e posts de resenhas de livros precisam ser bem elaborados para não parecer que foi “jogado” de qualquer jeito.

Li esse livro no final do ano passado (peguei emprestado de uma prima minha) e como na época não tinha blog acabei não tirando muitas fotos dele, então perdoem-me por isso.

O livro A hora da estrela conta a história de Macabéa, uma alagoana solitária e reflexiva, através da narrativa do escritor fictício Rodrigo S. M. Ainda quando criança, seus pais morrem e Macabéa passa a morar com sua tia, que lhe dá pancadas na cabeça com os nós dos dedos no intuito de educá-la. Quando sua tia muda-se para o Rio de Janeiro, ela a acompanha e arranja um emprego como datilógrafa. Pouco tempo depois, sua tia falece e ela passa a dividir um quarto de pensão com quatro moças.

Tendo uma vida miserável, Macabéa não almeja muitas coisas e se conforma com aquilo que a vida tem para lhe oferecer, seu único passatempo é escutar a Rádio Relógio durante as madrugadas. Em um certo dia, ela falta ao trabalho e resolve dar uma volta, durante seu passeio conhece Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino que a convida para sair. E é aí que tudo muda. Em seu pensamento, esse é o começo de um namoro. Ela passa a exibir todo o conhecimento adquirido pela Rádio Relógio em suas conversas, enquanto Olímpico apenas relata seu desejo de ser alguém na vida.  

Em uma visita ao local de trabalho de Macabéa, Olímpico conhece a colega dela Glória e se interessa por ela no mesmo instante. Inconformada e sem saber ao certo o quanto isso a faz sofrer, ela se tranca no banheiro do trabalho e usa batom vermelho em seus lábios, para sentir como uma estrela de cinema. Envergonhada por esta situação, Glória lhe entrega dinheiro e pede para que ela procure uma cartomante para prever o seu futuro.

Confesso que quase desisti de terminá-lo por ser uma narrativa muito detalhada e monótona, os primeiros capítulos do livro são desgastantes e é preciso se arrastar até realmente se prender na personagem. Não foi uma leitura adorável, mas as reflexões que Clarice traz ao longo do livro toca fundo na alma, principalmente por ver como a vida da personagem Macabéa é sofrida. 


Título: A Hora da Estrela. Autor: Clarice Lispector. Edição: 1. Editora: Rocco. Ano: 1998. Páginas: 88. 

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Leitura da vez: O Menino do Pijama Listrado

No Livro O menino do pijama listrado conhecemos Bruno, um garoto de nove anos que nada sabe sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus, inclusive ele não sabe sobre o que significa “ser judeu”. A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial.


Bruno mora com seu pai, sua mãe e sua irmã Gretel (que é um Caso Perdido, como ele costuma dizer) em Berlim/Alemanha. O Pai de Bruno é um oficial Alemão Nazista da alta hierarquia, subordinado ao Fúria e por conta do seu trabalho, toda família se vê obrigada a deixar Berlim e a mudar-se para uma região isolada. Bruno odiou com todas as forças a ideia de ter que sair de lá, ele não queria deixar seus amigos Karl e Daniel e Martin e seus avós para trás, mas não teve outra escolha a não ser ir.

Ao chegar na nova casa, que todos chamam de Haja-Vista, Bruno se sente deprimido, lá não havia outra criança da sua idade para poder brincar e ele não conhecia ninguém. Sendo assim, ele sente vontade de retornar a sua antiga casa e como falavam que eles ficariam por lá num “futuro previsível”, acreditou que isso não fosse durar mais do que três semanas, um mero engano. 


Ao olhar pela janela de seu quarto, ele consegue enxergar uma cerca e do outro lado dessa cerca ele vê pessoas, mas não entende que tipo de pessoas são e nem o motivo em que lá teriam mais pessoas do que do seu lado. 

Como não havia o que fazer na casa por não ter ninguém para conversar, brincar, resolve explorar os arredores do lugar. Ele começa a andar ao lado da cerca que havia avistado de sua janela, depois de muito andar, quase desistindo avista um menino. É aí que Bruno conhece Shmuel, uma criança que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele - 15 de abril de 1934.

Shmuel usava as mesmas roupas que todos usavam daquele lado da cerca, uma calça listrada, uma camisa listrada e um boné listrado. Shmuel tinha a cabeça raspada, feito como todos os outros, era muito magro, com um rosto sofrido e os olhos fundos. Os dois conversam pouco no primeiro dia, já que Bruno logo teria que retornar para casa.


Não demorou muito para que Bruno retornasse ao lugar onde encontrara Shmuel e continuou assim durante um ano. Como o amigo nunca comia, Bruno sempre dava um jeito de levar algo até ele. A partir daí sua exploração se torna frequente e inicia-se uma grande amizade entre Bruno e Shmuel.

Eu sempre tive vontade de ler esse livro, apesar de ter feito o caminho inverso e ter assistido o filme primeiro, como já sabia da história, acreditava que seria um grande livro para ler e não deu outra.

O livro é escrito pela inocência dos olhos de Bruno o que te faz ficar mais emocionado ainda com a história. Bruno é uma criança de nove anos em que não sabe o que está acontecendo em seu país, não sabe da guerra, não entende porque ser judeu é ruim, é uma criança que acredita que todas as pessoas possuem um coração bom.


O autor mostra que apesar do mundo estar em guerra, a amizade entre duas crianças é capaz de criar um laço afetivo enorme. A história narrada é da época onde existiam campos de concentração e discriminação contra os judeus e, falando nisso, o campo Haja-Vista relatado no livro é uma analogia ao campo Auschwitz-Birkenau e o Fúria chefe do pai de Bruno, na verdade é uma referência ao Hitler. 

O final é triste, mas emocionante. Nos faz pensar em nossas atitudes, no momento em achamos que estamos fazendo o bem, mas na verdade não estamos, podemos estar fazendo o mal sem ao menos perceber e quando menos esperamos esse mal pode voltar contra nós.

O livro é curtíssimo, porém vale muito a pena a leitura. É um livro para refletirmos sobre o que fazemos aos outros sem notarmos. Um dos melhores e mais emocionantes livros que já li.

Fiquei sabendo que há outro livro do mesmo autor chamado “O Garoto No Convés” que segue no mesmo estilo desse e nem preciso dizer que já fiquei interessada.


Título: O menino do pijama listrado. Autor: John Boyne. Edição: 1. Editora: Cia das Letras. Ano: 2007. Páginas: 186. 

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